Uma receita para a felicidade. Será que ela existe mesmo?

Uma receita para a felicidade. Será que ela existe mesmo?

Cada pessoa, cada alma no planeta é feliz à sua maneira. Mas não me interessa o que os outros têm, quero realmente ser feliz à minha própria maneira! Estou certamente feliz por ter pessoas felizes a andar à minha volta, mas chego a um deleite indescritível quando essa felicidade é vivida em mim, dentro de mim.

Pergunte a qualquer pessoa, qual é a sua maior aspiração na vida? Muitos vão listar que gostariam de se tornar famosos, ter uma família, criar filhos, ganhar muito dinheiro e depois viver para a sua própria satisfação. A variedade de respostas é espantosa.

O único homem sábio disse uma vez: “Quantas pessoas, tantas opiniões”. O espantoso é que todos concordaram com ele.

É o mesmo com a felicidade. Há tantas pessoas no planeta como há opiniões sobre a felicidade. É muito fácil perder-se nesta diversidade. Esta pletora de opiniões é especialmente estressante quando se tenta ser feliz. De alguma forma, não se pode ser feliz de uma só vez. A aspiração por si só não é suficiente.

Assim, juntamente com o processo de se tornar “mais feliz”, vem o processo de aprendizagem: como tornar-se feliz. Não se sabe a que se agarrar. Será que devo assumir a auto-educação e tornar-me esperto? Ou devo cuidar da minha condição física e levar o meu controlo corporal à perfeição? Ou devo tentar ganhar o máximo de dinheiro possível e satisfazer as minhas necessidades materiais mais íntimas?

A escolha de caminhos na vida é enorme. Além disso, muitas pessoas dizem-lhe que este caminho pode não ser o certo para si, “não é a sua coisa”. Mas como é que sabe que no início do caminho? Pode passar toda a sua vida desta forma, e não terá tempo nem energia para voltar atrás e começar um novo caminho. É aí que está o verdadeiro pesadelo e os problemas!

Como não ficar assim com a busca da felicidade? Existe uma receita para a felicidade? Existe uma forma que se aplique a todas as pessoas? Se existe, então basta pegar na metodologia para alcançar a felicidade e agir, e avançar na direcção indicada na metodologia.

Cada um é feliz à sua maneira

A felicidade é uma noção individual e subjectiva. E nesta descrição vaga reside o enigma principal e o grande mistério, que todos podem desvendar. A adaptação às circunstâncias da própria vida, carácter e atitude à realidade.

Assim, com base neste postulado, não há receita para a felicidade. Isto, infelizmente, é verdade. Mas há milhares de receitas sobre como tornar-se mais feliz. Algumas destas receitas ajudarão a fazer ajustamentos fáceis na relação com o mundo à sua volta, alguém pode mudar completamente a sua vida de uma forma radical, tornando a vida mais brilhante e mais positiva.

Se cada um é feliz à sua maneira, então resta-nos encontrar o nosso próprio caminho, tomar o nosso próprio e único caminho. E mais importante, não perca tempo à procura de uma receita para a felicidade.

Quando o seu filho vem ter consigo e lhe pergunta como ficar feliz, você responde: “Não sei, meu filho, só te posso dizer como encontrei o meu caminho. Mas isso não te ajudará muito. Afinal de contas, tens o teu próprio caminho e não terás nada em comum com a minha felicidade. Procura-o tu mesmo. Cada um é feliz à sua maneira!

Portanto, temos duas opções, duas possibilidades para responder a esta pergunta. Mas esta pergunta não surgiu do nada. Se olharmos para a natureza das pessoas, notaremos que todos nós temos traços e qualidades semelhantes em alguns aspectos, e diferentes em outros.

Um exemplo disto seria a observação de que todas as pessoas, por definição, querem ser felizes. Não há uma única pessoa que diga: “Eu não gostaria de ser feliz”. Estou bem aqui: deprimido, em agonia, em dor”. Não se encontrará tal pessoa. Aristóteles disse uma vez: “Todas as acções do homem são dirigidas a fazer-se feliz”.

Ou seja, todos, sem excepção, têm o desejo de experimentar emoções e sentimentos positivos. Mas aqui está outro pensamento muito importante: TODAS as acções humanas! O que quer que façamos nas nossas vidas, fazemo-lo com a ideia de que isso nos conduzirá a um objectivo acarinhado, um sonho acarinhado. Mesmo um suicida que está a tentar acabar com a sua vida, ele pensa que o seu acto o fará feliz. De que forma? Muito simplesmente: o fim da vida é o fim da dor que ele sente. E a ausência de dor e sofrimento é felicidade, quanto mais não seja.

Consideremos agora qualquer ciência. Por exemplo, a psicologia. A psicologia não estuda como uma pessoa é diferente de outra, mas como é semelhante. A psicologia estuda padrões gerais. Os investigadores procuram pontos comuns em coisas diferentes. Isto é o que observam e estudam. Assim que um cientista percebe que duas coisas bastante diferentes têm algo em comum, imediatamente se interessa por ela, se não melhor ainda: fica entusiasmado.

Esta unidade na diversidade é literalmente um deleite emocional para todas as pessoas criativas (pintores, poetas, artistas, músicos, etc.). Mesmo quando ouvimos o relato de outra pessoa sobre um incidente na sua vida única, também tentamos encontrar pontos comuns, e dizemos: “Tive uma situação semelhante”. Todos estes são sinais de procura de semelhanças na incrível e imensa variedade da vida, vida no sentido mais lato da palavra.

Não há necessidade de olhar e esperar pela felicidade, apenas criá-la. (Elchin Safarli)

Assim, as pessoas têm uma natureza comum, uma psicologia comum, traços e qualidades comuns. Mas, ao mesmo tempo, somos todos muito diferentes.

A medicina diz-nos que temos o mesmo sangue, mas este sangue tem características diferentes em pessoas diferentes. O tipo de sangue e o factor Rh são diferentes. Nós somos DIFERENTES. Todos nós temos pele, mas a cor dessa pele é diferente. A psicologia tem várias centenas de tipos de pessoas, de acordo com as suas características mentais e psicológicas. Nós somos DIFERENTES!

Alguns sentem-se bem quando estão em companhia barulhenta, outros quando estão sozinhos consigo próprios. Alguns sentem-se felizes por verem mudanças na vida, enquanto outros procuram estabilidade e não toleram a impermanência. Nós somos DIFERENTES.

Que conclusão se pode tirar dos factos acima referidos?

Existe ou não uma receita geral de felicidade? Talvez a verdade esteja algures no meio. A resposta que a psicologia moderna dá é que existe uma receita geral de felicidade para todas as pessoas, mas é diferente para todos.

Como é que isto é possível? Se a natureza das pessoas for a mesma, então podemos derivar uma fórmula para a felicidade que sirva a todas as pessoas. Mas como existem diferenças individuais nesta natureza comum, então podemos derivar uma fórmula para a felicidade de uma pessoa em particular. E a receita da geral é a principal e a individual é uma receita adicional. Vamos descrever isto com um exemplo:

Imaginem que temos várias variedades de batatas. Para que as batatas cresçam e dêem uma colheita rica, precisam de certas condições, tais como solo com nutrientes, luz solar e humidade. Se estas condições não forem satisfeitas, nenhuma batata irá crescer. Mas também é verdade que nem todas as variedades de batata precisam da mesma quantidade de luz e humidade. Algumas variedades precisam de mais humidade, outras menos. Mas todas as variedades de batata precisam de humidade como tal. A criação de certas condições GERAIS para o crescimento da batata é a recepção GERAL da felicidade. Mas também é necessário saber o que torna uma variedade diferente de outra para se poder criar uma receita adicional e individual de felicidade. Uma analogia semelhante aplica-se aos seres humanos.

Por exemplo, todas as pessoas têm a necessidade de novas sensações e experiências. A satisfação destas necessidades faz uma pessoa feliz. Mas uma pessoa precisa apenas de uma experiência por ano, enquanto outra precisa dela todos os dias. Uma pessoa precisa de uma viagem a outro país, enquanto outra precisa apenas de um livro para ler.

Para desfrutar do seu trabalho, da sua profissão, é preciso escolher correctamente essa profissão. Uma pessoa é dotada de um talento de raciocínio lógico e tornar-se-á um cientista, outra, tem a capacidade de experiência imaginativa e tornar-se-á uma artista. A parte geral da felicidade – é necessário encontrar uma profissão, a parte individual – cada um deve compreender e sentir por si próprio que tipo de profissão será.

A antiga verdade “Conheça-se a si mesmo” refere-se tanto ao conhecimento da natureza geral do homem como tal, como ao conhecimento da sua singularidade, a diferença em relação aos outros, o conhecimento da sua individualidade.

Tendemos a concentrar-nos mais em conhecer o nosso “eu”, a nossa dissemelhança em relação às outras pessoas. Na adolescência, fazemo-lo uma “ideia fixa”. Gostamos de ser diferentes uns dos outros, não queremos ser como as outras pessoas, e fazemos tudo para nos destacarmos da multidão. O que é mais importante aqui é compreender o que faz uma pessoa feliz enquanto tal. Ou seja, o conhecimento da NATUREZA GERAL de uma pessoa será mais valioso e eficaz em relação à busca da felicidade.

Onde procurar este conhecimento? A humanidade acumulou uma vasta experiência a este respeito, e esta experiência reflecte-se na cultura, arte e ciência do mundo e, claro, na Internet. Ao estudar bons livros e blogues (por exemplo, optimist.pw) pode compreender melhor o que nos torna felizes e o que não o faz.

Contudo, temos de compreender que apesar de todo este conhecimento, ninguém nos pode descrever a nossa própria natureza individual. Só nós próprios, com base nas nossas próprias experiências únicas, podemos compreender quem somos. Por conseguinte, a busca deve ser feita em duas direcções ao mesmo tempo, mas ainda assim começar com a receita GERAL da felicidade. Então e só então o conhecimento do seu “Eu Único” tornar-se-á mais compreensível e será tecido na matriz geral do processo de como se tornar feliz.


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